Acusado e acusadores

acusado e acusadores

 

Em João 8 lemos a história de uma mulher pega em ato de adultério e que fora levada até Jesus. Questionaram Jesus acerca de sua postura frente a um pecado intolerado pelos mestres da lei, que, inclusive, utilizaram a lei como forma de condená-la. Jesus ciente da armadilha, começa a escrever com o dedo no chão. Eles, porém insistiam, e Jesus sabiamente disse: quem não tiver pecados atire a primeira pedra… Silêncio seguido de afastamento por aqueles que a acusavam.

Um texto amplamente conhecido e divulgado. Uma mulher frente aos seus acusadores. É obvio que o adultério envolvia mais pessoas, supostamente, um homem que, deve ter sido absolvido por aqueles conhecedores da lei.

A mulher fragilizada, envergonhada, trazida à força, perante várias pessoas e diante de Jesus. Sua vida exposta e em iminência o apedrejamento. Não tinha ninguém em sua defesa, apenas olhares acusadores e sem misericórdia. Olhares de pessoas impiedosas, donas da verdade e iracundas!

Em vários momentos da vida identificamo-nos com essa mulher. Erramos perante as pessoas. Cometemos infrações que não são socialmente aceitas. Uma palavra, uma postura, um relacionamento que ameace a estabilidade da arrogância e do saber dos mestres da lei, pode anunciar uma exposição pública do nosso pecado, da nossa humanidade e da nossa insegurança.

No meio de todo esse teatro os que estiveram conosco são colocados à parte, assim, o homem adúltero, o que insinuou, o que facilitou ou até o que provocou não é levado em consideração, apenas o mais frágil e intolerado em uma sociedade de fortes e hipócritas. Expõem o que não tem defesa, e assim, se escondem absurdamente atrás de títulos e dos erros alheios.

Na nossa frente está Jesus. Ele nunca é pego de surpresa e não cai em armadilhas. Perante os olhares curiosos e no teatro em via pública, passa a escrever no chão. Mas, as vozes continuam a gritar pelo apedrejamento e ao tratamento de acordo com o rigor da lei.

Jesus olha, conhecedor de toda a miséria humana, como Deus onisciente e sabedor de todos os erros dos acusadores ordena: Aquele que não tem pecado atire a primeira pedra! Voltou a escrever e ao notar o esvaziamento da plateia, olha para a mulher, ali aguardando o veredito e pergunta: Onde estão eles? Ninguém te condenou? De acordo com a resposta negativa da mulher, ele diz: Nem eu te condeno, vai e não peques mais!

A mulher sai aliviada, a autoestima redesenhada por um Jesus que esbanja amor. Aquele que ouve e defende o acusado, justa ou injustamente julgado por pessoas impiedosas e carregadas de hipocrisia.

A mulher não sabia dizer o paradeiro dos acusadores. Quiçá envergonhados saíram desorientados sem definir o destino. Talvez foram refletir sobre seus atos, se arrepender, pedir perdão e perdoar.

Diante de Jesus, os acusadores são confrontados. O pecado alheio não se torna mais grave que o nosso. Diante do Mestre as resistências se estremecem, as fortalezas são derrubadas. Diante de Jesus, somos humanos, imperfeitos e como a mulher adúltera precisamos de perdão, graça e salvação.

Diante de Jesus ninguém nos condena. Somos defendidos e amados. Não somos vistos pelo tamanho do nosso pecado, mas pela infinita misericórdia que há em seu olhar.

Jesus perante os acusadores, os ignora e olha para o chão, mas quando está à sós diante de uma mulher pega em ato de adultério, se levanta e a olha nos olhos, deixando de condená-la e orientando que deixasse sua vida de pecado.

Jesus recebe uma acusada pega à força e despede uma mulher livre e com uma nova oportunidade de recomeço de uma nova história.

Em meio a sociedade cheia de hipócritas, adúlteros, mentirosos, caluniadores e de pessoas cheias de si, Jesus caminha. Disposto a olhar olho no olho, a confrontar, a perdoar e a tornar livre quem quiser ser livre de qualquer forma de exploração, insinuação, perversidade, maldade e qualquer injustiça que nos afaste de Deus e das pessoas.

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