Castelos sobre um passado renegado, é possível evitar a destruição?

castelo

No final do mês de Setembro (2012) veiculou-se a seguinte notícia na mídia brasileira:

O shopping Center Norte, em São Paulo, está funcionando há quase 30 anos em cima de um lixão. Só agora a prefeitura descobriu que ele pode explodir. (www.noticiasr7.com)

Longe de realizarmos críticas ao sistema de progresso brasileiro que, por vezes ignora riscos a fim de realizar tentativas de se tornar um estado desenvolvido, o fato chamou-me a atenção pelo motivo de que nossas aparências também podem esconder um perigo devastador.

No Livro de Mateus (NTLH), no capítulo 23, Jesus está dizendo uma série de “Ais” sobre os fariseus que se mostram belos e competentes, porém cometem falhas que não passam despercebidas aos olhos de Deus. No versículo 27 Jesus enfatiza:

“Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão”.

Como um ditado popular, “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, vamos nos adequando ao aspecto exterior de acordo com as exigências da sociedade, e deixando para trás o lixo que se acumulou. Afinal, como dizem, “o tempo cura tudo”.

Mas, vejamos: Por cima do quê construímos nossos castelos? Será que nossos lares, relacionamentos familiares ou não, foram edificados por cima de uma situação vexatória e suja que decidimos não mexer?

Afinal, quem gosta de separar lixo, organizar um local onde existe de tudo um pouco, incluindo ratazanas? Isso dá muito trabalho e cheira mal, então, vem o desejo de progredir, crescer, demonstrar riqueza, sabedoria e beleza. Passamos um trator por cima de tudo e começamos a tornar nossas fantasias em realidade!

Castelos podem chamar a atenção de muitas pessoas, mas se não for construído com um fundamento adequado poderá ruir a qualquer tempo, e o estrago poderá ser bem maior do que imaginávamos; poderá destruir tudo, incluindo vidas preciosas!

No capítulo 7 (v. 26 e 27- NTLH) de Mateus, Jesus exorta seus ouvintes com a seguinte mensagem:

Quem ouve esses meus ensinamentos e não vive de acordo com eles é como um homem sem juízo que construiu a sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, e o vento soprou com força contra aquela casa. Ela caiu e ficou totalmente destruída.

A casa construída por cima da areia pode ser assolada por fatores externos (chuva, vento, enchente), diferente da casa construída sobre o lixo, pois essa consegue ser bem pior, sua devastação é ocasionada pelo efeito produzido pelo próprio lixo. De dentro para fora!

Em nome da prosperidade, da sustentação de uma imagem fantasiosa que por ventura a sociedade tem de nós, passamos um ‘trator’ por cima dos nossos erros, fracassos, frustrações, decepções, complexos, mágoas e tudo o que nos fere, e passamos a construir prédios luxuosos, a ostentar um ‘eu’ que não existe. Nessa empreitada chamamos pessoas para habitarem nesses castelos, abrimos para que outros possam desfrutar do que produzimos e empreendemos.

Porém, após certo tempo, aquele lixo poderá a se mexer dentro de nós! O efeito das situações não resolvidas passa ter muita força e ameaça ruir nossas conquistas. Um tremor interno passa a ser sentido por todos os habitantes de nossas suntuosas construções, e o pior está por vir! A pressão de existir alimentando o ego e cedendo ao que nos colocam como progresso, sufoca a parte interna escondida sobre pedras e cimento e o caos ameaça a nossa segurança e a dos demais abrigados sob nossos castelos caiados!

Resta-nos arrependermos das atitudes hipócritas, pedir misericórdia a Deus e suplicar o auxilio do Mestre-Engenheiro para que alcance nosso interior, trazendo a cura completa por dentro e por fora, ajudando-nos a sermos transparentes e não negar os problemas que ainda temos por resolver.

Como Davi, oramos:

“Ó Deus, examina-me e conhece o meu coração!

Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum pecado e guia-me pelo caminho eterno” Sl. 139. 23 e 24 (NTLH);

“Cria em mim, oh Deus um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável (Sl. 51.10 – RA)

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