Fazer diferença na comunidade – um chamado ao serviço

Chamado ao serviço

Introdução

Como discípulos de Jesus, precisamos copiar sua maneira de viver. Jesus, ao passar pela terra nos deixou um exemplo de vida e de comportamento – um chamado ao serviço. Nós, também, precisamos olhar os outros com os olhos do Mestre. A compaixão, a misericórdia e o amor foram ensinados por Jesus em cada passo que Ele dava.

Ao sermos alcançados pela misericórdia de Deus (a causa de não sermos consumidos- Lamentações 3.22,23) precisamos exercer misericórdia aos outros. No Livro “Ser é o bastante”, seu autor, Carlos Queiroz afirma:

O discípulo foi alcançado pela graça de Deus e, tendo sido alcançado por Deus, torna-se gracioso – cheio de graça para com os outros. A graça ou a misericórdia brota como virtude interior, bem-aventurança que nasce nas entranhas da alma. Por essa razão o discípulo de Jesus se compadece sem pressão externa. Usar de misericórdia não é uma tarefa árdua e pesada para o discípulo. A misericórdia faz parte de sua essência espiritual, ela flui como um rio, jorra naturalmente como uma fonte. Ele não perdoa para ser perdoado, perdoa porque recebeu o perdão de Deus e porque reconhece o quanto Deus tem sido misericordioso com ele; consequentemente, torna-se misericordioso com quem precisa de sua compaixão. A misericórdia, na vida do discípulo, é refluxo do amor recebido de Deus. (p. 93).

O serviço sem compaixão se torna um ato de religiosidade, como os fariseus faziam para serem vistos, ou para terem algo em troca. O serviço com compaixão é um serviço realizado de acordo com a vontade de Deus, ou seja, a pessoa executa o serviço aos outros – para Deus, sem exigir nada em troca e sem fazer disso uma exposição pessoal.

Como está escrito em Colossenses 3. 23, 24

Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.

compaixao

1. Fomos chamados para servir – chamado ao serviço

[…] quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” Mateus 20.16-28 NVI

Todos gostamos de ser servidos, no entanto, Jesus nos chama para servir. Para sairmos da posição de convidados e passemos a ser servos. Durante todo o tempo de Jesus na terra ele deu-nos o exemplo de serviço. Dentre os exemplos temos: o lava pés, o alimentar as multidões e a atender todos os que o solicitavam.

2. Fomos chamados para exercer compaixão

A compaixão é algo que nos leva a desejar mudar a situação alheia. É algo que move nosso interior e que tira de nós o nosso melhor para diminuir a dor do outro. Jesus teve compaixão da multidão: “porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor”, Mateus. 9.36, algo que já falei em uma reflexão aqui no blogue: Chorai com os que choram.

Ao ver a multidão desamparada, Jesus pediu para que orássemos pedindo ao Pai que enviasse trabalhadores para a Seara: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”, Mateus 9.37.

Neste sentido e de acordo com o contexto bíblico, Jesus desejava que as pessoas fossem libertas, conhecessem as boas novas e fossem curados de suas doenças.

Jesus se preocupou com a multidão que andava havia 3 dias, sem comer, e Jesus não teve coragem de despedí-los sem alimentos. Jesus tomou o problema para si e multiplicou pães e peixes para os alimentar, “porque tinham fome”, Mateus. 15.32.

Dessa forma podemos entender que Jesus se preocupava com a multidão espiritualmente e fisicamente.

3. Fomos chamados para as “Boas Obras”

A Igreja Primitiva, desde Atos, era uma Igreja proclamadora das Boas Novas e comprometida com as Boas Obras. Biblicamente falando, não podemos separar as duas coisas: Boas Novas X Boas Obras – andam juntas de acordo com a Palavra de Deus.

O Livro de Tiago parece ter o objetivo de esclarecer que Fé e Obras não devem andar separados. Vejamos:

De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta, Tiago 2.14-17.

Hebreus reforça nossa necessidade de suprir as necessidades dos outros, no Capitulo 13, versículo 16: “Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada”.

Portanto, a fé deve vir acompanhada de boas obras. Deus se agrada quando ultrapassamos os limites do egoísmo e do comodismo para atender aos que possuem necessidades ou dificuldades.

4. Fomos chamados para amar e defender os pobres.

A Bíblia toda defende o pobre. Os profetas maiores (Is. 58.7-11) e menores, Jó, Salmos (41, 1 e 2) e Provérbios (Pv 19.17) procuram reforçar que Deus se importa com o explorado, o necessitado, o pobre, o aflito, a viúva, o órfão e o estrangeiro. Trabalhar em favor do pobre é agradar a Deus! Devemos defende-los dos exploradores, dos corruptos e dos mal-intencionados, precisamos ser sua voz!

Há uma recompensa para quem defende o pobre – haverá felicidade e serão bem aventurados os que acodem os necessitados (Pv 28.27; Pv 11.24, 25). É claro que a nossa motivação não deve ser na recompensa e sim em ver o outro suprido em sua necessidade – a motivação cheia de compaixão.

Em outra meditação, “chamados ao desapego“, há uma reflexão sobre os pobres da nossa sociedade e quanto estamos alienados deles.

Conclusão

Fomos chamados para permanecer crescendo em serviço. Precisamos manter os nossos ouvidos atentos ao clamor do necessitado, nossos olhos aos que precisam ser vistos e nossa boca para anunciar as boas novas. Temos muito o que fazer! Sair do nosso conforto e crescer em serviço, exercer compaixão, e servir a todo o momento: com oração e pão, com amor, cura, libertação e socorro aos que clamam por justiça.

Que o próprio Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança pela graça, dê ânimo aos seus corações e os fortaleça para fazerem sempre o bem, tanto em atos como em palavras, 2 Tessalonicenses 2.16,17.

E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé, Gálatas 6.9, 10.

Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil, I Coríntios 15.58.

Já ministrei na igreja sobre o tema “Chamadados para fazer a diferença” e você pode assistir no youtube.

 

Para Pensar:

  1. Você é servo no Reino ou tem sido servido?
  2. Em qual área você precisa melhorar: Serviço, Compaixão, Boas Obras ou Defesa dos Necessitados?

Pastora Lidia Loback

Leia também

Nova vida: amor e arrependimento Vivemos uma era em que se combate o preconceito. Existem movimentos para apoiar todas as minorias na sociedade. Esses movimentos trabalham para criar leis que os defendam, e q...
Pilatos, errado mas popular –... "Então Pilatos decidiu fazer a vontade deles" Lucas 23.24 "Desejando agradar a multidão, Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado"...
O amor e suas temperaturas – ... Lidamos com pessoas destituídas de amor. Não amam aos outros e nem a si próprias. Querem viver de aventuras por não conhecer o amor. Se machucam e fazem um exército de feridos...