Espírito de engano ou de verdade? Será que o engano e a mentira veio sobre a igreja?

Em um belo dia, fazendo o meu devocional, me deparo com o texto de II Crônicas 18 onde foi predita a morte de Acabe.

Já havia lido outras vezes este texto, mas hoje fiquei retida na parte onde descreve a contradição das palavras dos profetas.

Na visita a Acabe, o rei de Judá, Josafá foi desafiado a entrar em uma Guerra. Este não teve do problema em concordar, porém pediu que Acabe consultasse o Senhor.

Acabe chamou 400 profetas que predisseram a vitória do rei e a bênção do Senhor sobre a nação de Israel e Judá na batalha. Josafá, parecia meio desacreditado e mesmo ouvindo 400 pessoas dizerem a mesma coisa pergunta: Não tem mais profeta do Senhor que podemos consultar? Ao que Acabe responde existir um que ele não gostava, pois, este só dizia coisas ruins. Mesmo assim, o foram chamar.

Ao chegar, o mensageiro que o havia trazido diz: Vê, todos os outros profetas estão predizendo coisas boas, a sua palavra também deverá ser favorável.

À primeira pergunta do rei, Micaías (este era o nome do profeta) disse que o rei seria vitorioso, mas o rei desconfiado diz: é melhor falar a verdade em nome do Senhor. Depois disto vem a descrição da visão que Micaías havia tido sobre a palavra do Senhor.

Em sua visão, o Senhor estava assentado com o seu exército à direita e à esquerda e pergunta: quem enganará Acabe para que ataque Ramote-Gileade e morra lá? E um espírito se colocou diante do Senhor e disse: eu o enganarei, irei e serei um espírito mentiroso na boca dos profetas do rei. E assim foi decretada a desgraça de Acabe.

Após isto, o rei Acabe mandou prender Micaías a pão e água até que voltasse em segurança da guerra.

E tudo foi feito segundo a palavra do Senhor a Micaías. De fato, nesta guerra o rei Acabe perdeu a vida e Josafá se livrou da morte após pedir auxilio ao Senhor.

Fiquei refletindo sobre a influência do espírito mentiroso em 400 profetas enquanto somente 1 não foi enganado. E este espírito mentiroso, Deus, permitiu para que se cumprisse a Sua justiça e Acabe fosse morto naquela guerra.

Acabe havia sido um rei injusto, rebelde e condescendente com as idolatrias de sua família, sua morte havia sido predita por um profeta e agora estava mais próxima do que nunca.

Ali, no palácio os 400 profetas estavam em transe e usavam símbolos para exemplificar a vitória de Acabe.

Trazendo isto para os nossos dias, preocupo-me com o fato de Deus autorizar o Espírito de engano se apoderar de profetas. Preocupo-me com a Igreja de um modo geral se está sendo guiada por espíritos enganosos e assim cavando a própria ruína. Afinal, não temos sido tão zelosos para com Deus, como Igreja. Temos nos aliado a injustos e perversos para nos trazer benefícios próprios. Colocamos tantos “homens de Deus” nos altos cargos políticos com a promessa de que o reino de Deus se estabeleceria na terra através dos seus filhos no comando, e nos damos conta de que esses filhos se corromperam e foram rebeldes para com um Deus que não gosta de injustiça. Foram coniventes com o pecado e em nome de Deus espalharam corrupção, tornando o jugo dos oprimidos mais pesado ainda.

Isto para não falar de espíritos de mentiras que talvez, tenha se apropriado de profetas que enganam os próprios pastores de igrejas grandes ou pequenas para guiar o rebanho para o precipício. Em nome do status e ganância, edificam templos e mega ajuntamentos onde as pessoas vêm em nome do “tudo de bom” que possa acontecer em suas vidas familiares. Profetizando muita riqueza para aqueles que os servem e semeando muito desejo de acumulação para aqueles que mal conseguem colocar o pão na mesa. Mudam o foco da salvação eterna na Pessoa de Jesus para a felicidade em carros de ultimo tipo e casas requintadas, após seguirem regras instituídas por homens.

Colocam sobre os servos de Deus, jugos insuportáveis de obediência cega e obstinada não por amor, mas por medo. Fazem o nome de Deus arrogante e ditador, fazendo as pessoas sentirem um sabor amargo ao invés do verdadeiro amor daquele que entregou o próprio Filho para salvar uma humanidade separada pelo pecado.

São profetas que falam o que os “reis” querem ouvir: Grandeza, riqueza, status, pompa, conquista e tudo de grande que possa ocorrer.

Talvez, ao invés da confiança cega que desprendemos a estes 400, deveríamos dizer como Josafá: Não há mais profeta para consultarmos? Aí chegamos naquele que é odiado pelos reis: Micaías. Acabe o que deixava qualquer coisa entrar em seu reino dizia: este só profetiza coisa ruim. Mas, Micaías em sua visão via um povo como ovelhas sem pastor. Sem direção. Assim previa o fim de Acabe naquela batalha após ser guiado pelo Espírito de engano.

Mesmo que não queiramos ouvir o profeta Micaías ele tem algo a dizer que pode nos trazer quebrantamento, arrependimento e volta para Deus. Às vezes ouvir a verdade dói e nem sempre ela é tão doce como gostaríamos. Nem sempre ela vai confirmar os nossos atos, as nossas decisões, mas ela pode nos livrar da auto-destruição, e no fim poderemos agradecer por esta palavra que fere o nosso egoísmo mas que nos traz a cura espiritual, moral e física.

Onde estão os Micaías? Talvez, em prisões. Sofrendo danos morais ou físicos. Pagando o alto preço da verdade. Talvez estejam a pão e água enquanto fazemos nossas festinhas gordas e celebramos uma vitória enganosa.

Tiago 1.22 exorta: Não sejais apenas ouvintes da Palavra, enganando-vos a vos mesmos… Mas, praticantes.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê sabedoria e discernimento para sabermos quando a profecia é inspirada em espíritos enganosos ou quando vem da parte de Deus. É sempre melhor obedecer a Deus em todos os nossos caminhos para que sejamos curados e semeemos justiça, paz, retidão e amor a Deus e ao próximo.

 

Texto Bíblico:

  • II Crônicas 18

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